Faltam profissionais qualificados no Brasil para atender problema que é considerado uma calamidade pública – 160 mil mortes por ano, mais do que em toda a guerra do Vietnã. Curso emprega técnicas mais avançadas do mundo nesta área.
O Centro de Ensino e Treinamento em Saúde (CETS) de Porto Alegre recebe, nesta quinta-feira, um dos maiores especialistas da América Latina em atendimento ao trauma por acidentes, Dr. Renato Poggetti. Ele é membro do Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões (ACS), coordenador dos programas ATLS (Suporte Avançado de Vida no Trauma, em inglês) e PHTLS (Suporte Pré-Hospitalar de Vida no Trauma) do setor 13 do Colégio Americano de Cirurgiões (América Latina e México) e professor Associado do Departamento de Cirurgia da USP.
Poggetti vai dirigir um curso especial, para formação de instrutores de PHTLS, o mais avançado programa de formação em atendimento ao trauma do mundo. Participará avaliando candidatos a Instrutor que foram selecionados entre centenas de alunos do CETS.
Na coordenação do curso estará o Dr. Átila Velho, outra grande autoridade no assunto, coordenador de Ensino do CETS e coordenador regional dos Programas ATLS e PHTLS do Colégio Americano de Cirurgiões; doutor em Cirurgia pela UFRGS e professor adjunto, regente da Disciplina de Medicina de Urgência e Trauma, que ele criou, do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Calamidade pública
O trauma provocado por acidentes (de trânsito, de trabalho e domésticos) ou agressões é hoje segunda principal causa de mortes no Brasil, "uma calamidade pública", diz o Dr. Átila Velho, "superada apenas pelo câncer, se somados todos os tipos". São 160 mil mortos por ano, três vezes mais mortes do que em toda a guerra do Vietnã (50 mil mortes).
É reconhecido como um grave problema de saúde pública, o que levou o governo federal a promover a expansão do SAMU no pais, mas com sérias dificuldades para isso porque há falta no mercado de profissionais treinados e que se mantenham em treinamento para atender a estas ocorrências.
No atendimento ao doente traumatizado, tempo é fundamental, não sendo possível proceder grandes investigações antes de se tratar lesões que comportam risco de vida imediato. A abordagem sistematizada do traumatizado permite não perder tempo, não deixar passar despercebidas lesões graves e, em última análise, melhorar o prognóstico, diminuindo a incidência de mortes evitáveis e o "segundo trauma": o atendimento inadequado.
O PHTLS
Neste sentido, o PHTLS é um programa de atendimento de emergência pré-hospitalar que aborda aspectos relevantes da prevenção, biomecânica, anatomia e fisiopatologia dos diversos sistemas envolvidos nas lesões. Por este motivo é útil para estudantes de áreas correlatas à saúde (medicina, enfermagem, fisioterapia, educação física) e profissionais ligados a departamentos médicos, de segurança e de prevenção de acidentes.
O curso é eminentemente prático, onde os médicos treinam a retirada de vítimas (atores) de veículos e outros procedimentos em bonecos importados próprios para este fim. Os alunos se submetem a uma avaliação prática e só recebem a credencial caso sejam aprovados. Todas as emergências do Estado exigem esta credencial para que o médico possa atuar nessa área, como um reconhecimento da área médica, não uma imposição.
O CETS nasceu da união de cinco cirurgiões gaúchos, que por sua experiência no atendimento ao trauma e emergências e sua destacada atividade acadêmica em sociedades médicas e como professores universitários, se tornaram multiplicadores regionais de programas de qualificação, em especial do American College of Surgeons (ACS).
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